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7 de setembro de 2012

Cada Coisa a seu Tempo Tem seu Tempo

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) —

Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem

Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

15 de maio de 2012

Augusto Cury

"Quando os sonhos nos controlam, os surdos podem ouvir melodias, os cegos podem ver cores, os derrotados podem encontrar energia para continuar. Quando não havia solo para caminhar, Beethoven caminhou dentro de si mesmo, não desistiu da vida, ao contrário, exaltou-a. Os sonhos venceram. O mundo ganhou."
 

14 de outubro de 2010

Mealheiro de sonhos

Dia após dia lá vou depositando, mais um e mais um…

Já não os ouço cair no fundo, o mealheiro está a ficar cheio.

Uns são de ouro, outros de prata e outros não passam de latão…

Mas lá os vou amealhando, vou guardando, conservando num lugar que só eu sei, num armário que só eu tenho a chave.

O mealheiro é daqueles sem saída, a única é parti-lo e receber tudo de uma única vez. Alguns dizem que os sonhos não são para ir amealhando, são para ir realizando de tempos em tempos, quando possível.

Alguns ainda conseguem sair, de quando em vez…e os outros, será que lá ficarão de vez?

7 de setembro de 2010

Há um poema, que diz:

Temo, Lídia, o destino. Nada é certo.
Em qualquer hora pode suceder-nos
O que nos tudo mude.

Fora do conhecido é estranho o passo
Que próprio damos. Graves numes guardam
As lindas do que é uso.
Não somos deuses; cegos, receemos,
E a parca dada vida anteponhamos
À novidade, abismo.
 
 
De Ricardo Reis in "Odes" (Heteronimo de Fernando Pessoa)
Nome: "Temo, Lídia, o Destino. Nada é Certo"

9 de julho de 2010

"Sei a verdade e sou feliz..."

Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos


E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto.

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.


"Os meus pensamentos são todos sensações"
Alberto Caeiro (Heterónimo de Fernando Pessoa)


Tudo isto para vos desejar 1 óptimo fim-de-semana e deixar 1 recado: sejam felizes!!!

28 de junho de 2010

Sorri!

Há um poema de Charles Chaplin, que diz isto:

"Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz"
 
Descreve o meu constante estado de espirito, há sempre que sorrir!

24 de maio de 2010

Sou boneca de trapos



Sou boneca de trapos

Os meus cabelos são fios de lã amarelos

E os meus olhos pequenos botões velhos

As minhas mãos são restos de seda

E na minha alma nada cabe. Está pequena.



Sou boneca de trapos

As minhas roupas outrora foram belos panos engomados

E os outros castanhos fazem de sapatos

Com um lápis desenharam os meus lábios

Mas com o tempo foram apagados



Sou boneca de trapos

Abraçam-me, largam-me

Nunca me deixam cair e se caio forçam-me a levantar

Com uma pequena gota de água, estou de novo pronta a usar



Sou boneca de trapos

Comigo falam, comigo brincam, comigo choram

Embalo os sonhos de quem me adora

E quando o dia termina e nasce a aurora

Estou de novo pronta para qualquer hora




Sou boneca de trapos…

Lídia Amorim
24-05-2010

5 de março de 2010

The love est bilingue pero no es tan complicado

There's something between us
Je ne sais pas dire
Love or friendship
Quelque chose peut écrire
It's up to you
Mais parfois c'est moi aussi

And I do not know if I love you
Je ne sais pas si Je t'aime
Pero quizá si amarme
I can give you my heart
Baby…


Es más fácil de lo que crees
It's so easy to love
C'est tellement facile
My heart
Your heart
Our souls can unite

Lídia Amorim
5 de Março de 2010

28 de setembro de 2009

O Tempo Passa? Não Passa.


O tempo passa?
Não passa no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça do amor,
florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.



É de Carlos Drummond de Andrade e é lindo, lindo!

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